Como Fazer Uma Redação Dissertativa – Exemplos Prontos

Como Fazer Uma Redação Dissertativa

Não é novidade para ninguém dizer que vivemos atualmente em um mundo extremamente competitivo em todas as nossas relações e interações não é mesmo? Por isso, para nos destacarmos em meio à multidão em qualquer atividade que nos propusermos a fazer, é necessário muito preparo e uma qualificação diferenciada de nossa parte.

Uma ferramenta muito utilizada nos dias de hoje nos processos seletivos, seja ele uma prova de vestibular, uma prova de entrevista de emprego ou uma prova de concurso público, é a redação, sendo assim, é de fundamental importância que você saiba produzir um texto com conteúdo de qualidade, seguindo as normas de concordância e usos da língua portuguesa corretamente.

Muitas pessoas ficam apavoradas quando descobrem que terão de redigir um texto sobre um tema qualquer, se este for também o seu caso, não se preocupe, pois se valendo de algumas técnicas, dicas e muita “mão na massa”, é perfeitamente possível que você aprenda como fazer uma redação dissertativa capaz de impressionar e de te aprovar em qualquer seleção.

Porém, antes de mais nada, é imprescindível dizer que você só dominará a forma correta de construir uma redação se antes disso você se tornar um assíduo leitor de livros, pois é através do processo de leitura que é possível dominarmos a forma correta de grafar as palavras, de se inteirar das normas cultas da língua e da construção de frases e textos em si.

Portanto, leia muito, leia a todo instante, sempre que possível, se ainda não tem este hábito, comece lendo pequenas histórias, contos ou revistas que te agradem e chamem a atenção. Você verá que em pouco tempo a leitura se tornará um “vício” muito agradável e que lhe fará falta em sua vida quando não a praticar.

Visto estas importantes informações iniciais, vamos conferir na sequência quais são as “regras” sobre como fazer uma redação dissertativa de qualidade, que informe bem o seu conteúdo ao interlocutor (leitor), bem como conferir dicas e exemplos de redações já prontas.

Como Fazer Uma Redação Dissertativa Passo-a-Passo

Todo texto que pensamos em redigir deve preferencialmente conter uma estrutura básica lógica e que facilita tanto a escrita quanto a compreensão do mesmo, desta forma, conhecendo esta estrutura, tendo conhecimento e argumentos, é possível escrever a respeito de qualquer tema que seja nos seja proposto.

A estrutura básica de qualquer redação deve conter os seguintes itens: título, introdução, desenvolvimento e conclusão. É a partir destes tópicos que você comporá toda a sua escrita e argumentação, o que deixará seu texto perfeito e claro. Vamos conferir informações detalhadas sobre cada uma destas etapas:

Título da Redação

Na maioria das vezes negligenciados, o título de uma redação pode ser decisivo para alcançar ou não o sucesso proposto por sua redação, pois é através dele que o leitor será ou não atraído a ler tudo aquilo que você escreveu.

Portanto, reserve uma boa parte do tempo de construção e escrita para pensar em um título que seja forte e que faça um resumo ou uma síntese de todo o texto. Uma dica importante é criar inicialmente um título provisório e ao final da redação troca-lo por algo mais próximo da redação final se necessário.

Introdução

Este passo consiste na elaboração de um breve resumo sobre tudo aquilo que será abordado na redação, ou seja, deverá ser feita de maneira esteticamente correta, informando claramente qual assunto será tratado e de qual maneira ele será abordado pelo escritor.

Faça isso tudo de forma breve e sucinta, sem se estender demais e sem ainda entrar em maiores detalhes sobre o tema abordado, pois isso será feito no passo seguinte, que é o desenvolvimento do assunto e das ideias. De forma resumida, sua introdução precisa estimular o leitor a continuar lendo seu texto, porém sem entregar ainda o desenvolvimento do texto.

Desenvolvimento

O desenvolvimento do tema proposto sem dúvidas deve conter a maior parte de seu texto, pois é aqui que você abordará suas ideias, argumentos e defesa daquilo que está redigindo, detalhando e especificando todas as informações contidas no texto.

Uma excelente dica aqui é se utilizar de frases curtas e de impacto, que mostrem firmemente seu ponto de vista sobre o assunto, deixando claro também quais são os prós e contras da temática abordada, permitindo também que os leitores reflitam sobre o que estão lendo.

O mais importante no desenvolvimento do texto portanto é deixar clara todas as informações passadas, atrelando o assunto a forma de abordagem utilizada, visando sempre uma coesão entre um parágrafo.

Conclusão

Apesar de parecer simples, esta é uma das etapas mais “perigosas” de qualquer redação, pois você deverá ter cuidado de esclarecer todos os pontos de vistas e perguntas deixadas soltas na etapa anterior. Se isto não acontecer, existe um grande risco de seu texto ficar muito pobre e confuso, sem a chance de ser compreendido totalmente pelo leitor, sem nem mesmo que ele tenha vontade de refletir sobre tudo aquilo que foi informado.

Portanto, aborde seus pensamentos finais sobre o assunto tratado nesta fase de conclusão, dando respostas para todas as questões levantadas, levando soluções aos problemas levantados e discutidos anteriormente.

Bom, estas foram algumas importantes dicas que reunimos sobre como fazer uma redação dissertativa de qualidade, esperamos que sejam uteis para suas provas.

E para concluir, listaremos abaixo alguns exemplos de redação dissertativa já prontas, para que você visualize todas as partes que a compõem e consiga fazer o seu próprio texto.

Leia bastante, treine muito, não tenha vergonha de escrever e de pedir ajuda para que outras pessoas leiam e corrijam suas redações, pois somente com a prática você fará ótimos textos.

Exemplos de Redação Dissertativa

TEMA:“DENÚNCIAS, ESCÂNDALOS, CASOS ILÍCITOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, CORRUPÇÃO E IMPUNIDADE… ISSO É O QUE OCORRE NO BRASIL HOJE.”

Uma nova ordem

Nunca foi tão importante no País uma cruzada em busca da moralidade. As denúncias que se sucedem, os escândalos que se multiplicam, os casos ilícitos que ocorrem em diversos níveis da administração pública exibem, de forma veemente, a profunda crise moral por que passa o País.

O povo se afasta cada vez mais de seus políticos, como se estes fossem símbolos de todos os males. As instituições normativas, que fundamentam o sistema democrático, caem em descrédito. Os governantes, eleitos pela expressão do voto, também engrossam a caldeira da descrença e, frágeis, acabam comprometendo seus programas de gestão.

Para complicar, ainda estamos no meio de uma recessão que tem jogado milhares de trabalhadores na rua, ampliando os bolsões de insatisfação e amargura.

Não é de estranhar que parcelas imensas do eleitorado, em protesto contra o que vêem e sentem, procurem manifestar sua posição com o voto nulo, a abstenção ou o voto em branco. Convenhamos, nenhuma democracia floresce dessa maneira.

A atitude de inércia e apatia dos homens que têm responsabilidade pública os condenará ao castigo da história. É possível fazer-se algo, de imediato, que possa acender uma pequena chama de esperança.

O Brasil dos grandes valores, das grandes ideias, da fé e da crença, da esperança e do futuro necessita, urgentemente da ação solidária, tanto das autoridades quanto do cidadão comum, para instaurar uma nova ordem na ética e na moral.

Carlos Apolinário, adaptado

Comentário:

O primeiro parágrafo constitui a introdução do texto (tese).
Os parágrafos segundo, terceiro e quarto constituem o desenvolvimento (argumentação — exemplificação com análise e crítica).
O último parágrafo é a conclusão (perspectiva de solução).

TEMA: 
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena
(Fernando Pessoa)
Sonhar é preciso

“Nós somos do tamanho dos nossos sonhos. Há, em cada ser humano, um sebastianista louco, vislumbrando o Quinto Império; um navegador ancorado no cais, a idealizar ‘mares nunca dantes navegados’; e um obscuro D. Quixote de alma grande que, mesmo amesquinhado pelo atrito da hora áspera do presente, investe contra seus inimigos intemporais: o derrotismo, a indiferença e o tédio.

Sufocado pelo peso de todos os determinismos e pela dura rotina do pão-nosso-de-cada-dia, há em cada homem um sentido épico da existência, que se recusa a morrer, mesmo banalizado, manipulado pelos veículos de massa e domesticado pela vida moderna.

É preciso agora resgatar esse idealista que ocultamente somos, mesmo que D. Sebastião não volte, ainda que nossos barcos não cheguem a parte alguma, apesar de não existirem sequer moinhos de vento.

Senão teremos matado definitivamente o santo e o louco que são o melhor de nós mesmos; senão teremos abdicado dos sonhos da infância e do fogo da juventude; senão teremos demitido nossas esperanças.

O homem livre num universo sem fronteiras. O nordeste brasileiro verde e pequenos nordestinos, ri sonhos e saudáveis, soletrando o abecedário. Um passeio a pé pela cidade calma. Pequenos judeus, árabes e cristãos, brincando de roda em Beirute ou na Palestina.

E os vestibulandos, todos, de um país chamado Brasil, convocados a darem o melhor de si no curso superior que escolheram.

Utopias? Talvez sonhos irrealizáveis de algum poeta menor, mas convicto de que nada vale a pena, se a alma é mesquinha e pequena.”

Comentário:

A introdução encontra-se no 1° parágrafo, que faz uma espécie de síntese do texto, funcionando como uma espécie de índice das ideias e elementos que aparecerão no desenvolvimento (sebastianista, o navegador, o D. Quixote).

O desenvolvimento está nos cinco parágrafos seguintes, que retomam e explicam cada uma das ideias e elementos apresentados no inicio.

A conclusão realiza-se no último parágrafo, reafirmando a tese de que somos do tamanho de nossos sonhos e de nossas lutas por nossos ideais, sem os quais a alma seria mesquinha e pequena (e a vida não valeria a pena).

TEMA: “À busca do Brasil de nossos sonhos, travar-se-á uma longa jornada.”

Em busca do Brasil de nossos sonhos

Utopia, talvez seja este o termo que resuma os anseios de um povo que, há mais de quatro séculos, alimenta esperanças de ver seu país constituir-se em um Estado forte e humanitário.

Transformações drásticas e rápidas não correspondem ao caminho a se seguir que será árduo e penoso, entretanto os júbilos alcançados serão tão doces e temos que terão valido cada gota de sangue e suor derramado.

Muitos são os problemas (corrupção, injustiça, desigualdades…) e suas soluções existem, só não fazem parte do plano político-econômico e social a ser seguido, pois este não há. Generalizar chega a ser infantil e prematuro, mas atualmente não se tem tido conhecimento sobre uma reforma concreta e séria que vise à melhoria de vida da população e que não esteja “engavetada”, ainda em “processo de viabilização”, tal como as reformas agrária e tributária, por exemplo. A justiça no Brasil, além de paradoxal, vem a ser ilusória.

Diversidade de solos, climas, costumes, gente, vários povos misturados em um só, tantos méritos e nenhuma vitória que não tenha sido mais do que temporária. O amor à pátria a cada dia fica mais frágil quando deveria se fortalecer, então o que fazer?

Lutar, não travando guerras ou impondo violência. Reivindicar direitos e estipular deveres requer sabedoria, a liberdade de expressão foi conquistada com muito esforço e perseverança por brasileiros que queriam gritar e não se calar diante da destruição lenta e contínua de seu país.

Valorizas o nosso e melhorar o Brasil depende não da vontade de cada um, isoladamente, mas sim do desejo de todos, afinal são mais de cento e trinta milhões de pessoas com interesses diversos ocupando um mesmo país, e muitas querem vê-lo progredir, no entanto como isso será possível? Optando por um nacionalismo extremado? Talvez. Para haver mudanças é preciso que se queira mudar, um Estado politicamente organizado, quem sabe, este Estado: o Brasil.

Tatiana R. Batista

Como melhorar o Brasil

“E nas terras copiosas, que lhes denegavam as promessas visionadas, goravam seus sonhos de redenção”. Com estas palavras José Américo de Almeida, em seu livro “A Bagaceira”, conseguiu caracterizar um Brasil que, há quinhentos anos, mantém-se o mesmo: injusto e desigual.

Fome e miséria em meio à fartura e pujança, descontentamento e inércia presentes em um mesmo povo. Tantas contradições advêm de um processo histórico embasado em inserir o Brasil no contexto sócio-econômico mundial como um Estado dependente economicamente, subdesenvolvido tecnologicamente, sendo por isso frágil perante a soberania de um sem-número de países que desde sempre deteve o controle supremo de o quê, e como tudo deve ser direcionado.

De colônia à república, sendo monarquia ou não, a aristocracia se mantém presente, forte e imponente, segura habilidosamente “as rédeas” deste “carro desgovernado” chamado, anteriormente, de Terra brasilis. É estranho pensar que um vasto território, em que se afirma vigorar o “governo de todos e para todos” pertença na realidade a um restrito grupo que não deseja alterações de qualquer tipo, por considerar a atual situação do Brasil ideal. O ideal seria desconsiderar tais argumentos, sendo estes inválidos e inadmissíveis, uma vez que altos níveis de desemprego, corrupção, carência nos diversos setores públicos…, não correspondem ao que se espera para haver uma elevação no padrão de desenvolvimento de um país.

A globalização, tão comentada em todo o mundo, só ratifica ainda mais um processo que, aos olhos de todos, parece inevitável: a colonização do mundo, a preponderância de uns poucos Estados politicamente organizados sobre o resto do planeta. O Brasil virando colônia, principalmente, dos Estados Unidos da América. A submissão completa.

Deste ponto de vista (que pode ser o único), a situação se apresenta de forma grave. Alarmante, porém é a falta de soluções.

Pior, talvez seja a falta de interesse em mudanças. Já foram privatizadas a (Companhia Vale do Rio Doce, a Siderúrgica Nacional, logo em breve a Petrobrás e o Banco do Brasil, símbolos da soberania nacional. Vivemos em um mesmo espaço o qual cada vez mais deixa de nos pertencer, estamos enfraquecidos, o nacionalismo se enfraquece se a nação única deixa de existir. Não se pode afirmar que uma atitude revolucionária seja o melhor caminho ou o caminho certo, no entanto a passividade neurastênica da população jamais resolverá nada. O exercício da cidadania é necessária para implantar a verdadeira cidadania. Consciência política e senso de justiça o pior obstáculo a ser contornado é a alienação, consequência da ignorância que cerca a maior parte da população, sem acesso à cultura.

O primeiro passo já foi dado: conhecer os problemas e, mesmo que superficialmente, pensar a respeito. Ufanismo, utopia, sonho, perseverança e luta. A coragem precisa de esperança, o homem precisa de ambas para sobreviver e lutar. Se o povo brasileiro é naturalmente corajoso, lutemos agora para seguir em frente e firmar este país como soberano e forte que é.

Tatiana R. Batista

A corrupção no Brasil

Durante todo o processo de formação cultural do povo brasileiro, o trabalho nunca foi considerado uma atividade digna, a riqueza, mesmo ilícita era a grande nobreza e a comprovação da superioridade.

No período colonial, o trabalho para o português recém-chegado toma-se um ato ignóbil, explorar o bugre e o negro é a maneira de se viver numa terra nova, onde a “esperteza” de sempre tirar lucros e ganhar, mesmo através da trapaça, é considerada uma virtude.
No império e na república oligárquica, a história se repete e sempre está a favor de uma aristocracia, que desrespeita a condição humana, com suas atitudes nepóticas e de extrema fraternalidade entre os iguais mineiros e paulistas.

Nos períodos seguintes, a rede de corruptos se mostra e toma contorno urbanos, onde a população adquire maior intelectualidade e passa a exigir um maior respeito e que pelo menos se disfarcem os roubos contra nossa população de miseráveis e condicionados.

Já cansada pelos quinhentos anos de “falcatruas” justificadas e pela explosão de novas “bombas”, a cada dia a população apercebe-se. em fim, do maquiavelismo político e rejeita as soluções prontas e maternais da pátria mãe gentil.

Esperamos que, nos próximos anos, a política brasileira tome-se mais séria, rejeite o dito maquiavélico e trate o trabalho como um meio de ascensão e de dignificação do homem e não como um ato oprobriante.

Tiago Barbosa

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